19 março 2008


“Espelho, Espelho meu...

Para Deborah Bapt

... Existe alguém mais belo do que eu?”, e o espelho respondeu: “Isso importa?“. “Não importa?”, mais intrigado perguntei, responde novamente o espelho: “Procure dentro de si para achar as questões que realmente importam e lá ainda encontrará as respostas.”.

Tantas perguntas e tantas respostas encontrei e o mais incrível era perceber que por vezes as questões se repetiam e encontravam novas respostas. E óbvio que para novas perguntavas viriam velhas respostas.

Foi então que dentre estas idas e vindas dialógicas que percebi que precisava encontrar um novo jeito de “amar”, assim entre aspas porque não sei ao certo se era isso, talvez fosse relacionar-me, mas enfim algo do gênero. Percebi que precisava deixar mais livre, para ter retorno, esperar menos, criar menos expectativas, para que aquilo que viesse fosse uma grata surpresa. Por que o esperado dificilmente viria, mas o que viesse poderia ser ainda mais prazeroso e gratificante. Ter menos ciúmes, pois este não me traria nada a não ser dor para mim mesmo. Difícil? Muito, mas ainda sim necessário.

Porque percebi também que o cotidiano me desgasta, anseio pelo novo, pela mudança, e se obtivesse aquilo que eu insistia em me fazer crer que queria tanto, talvez enjoasse e dispensasse. Então não seria justo com outrem que acabaria vítima de meus caprichos. Deixar-se seduzir por mim, realizar minhas vontades, para em seguida ver-se só, triste e vítima dessa minha loucura da busca pelo novo.

Talvez então buscar essa nova forma de relacionar-me e de vencer aquilo que me parece imposto pelo corpo social, as “regras”, tão já enraizadas em mim, seja a solução. O duro é identificar-me com certas regras, é parecer que elas são os meus desejos, daí fica difícil superá-las. Como se supera uma vontade em prol de um ideal? Como segurar um impulso, respirar, e lembrar-se de que numa reflexão sobre si concluiu-se que era melhor outro caminho, levando em conta características que não têm a ver com aquela simples vontade momentânea? Como reagir quando simples vontades não são atendidas, como encontrar serenidade quando sentimentos intensos afloram, para mesurá-los e encontrar uma ação/resposta pertinente?

Tantas perguntas que encontram respostas, mas que voltam a ser perguntadas e re-respondidas, por respostas que levam às mesmas perguntas, porque provém de circunstâncias vividas. Tantas perguntas. Tantas.

“Qual o segredo do labirinto?”, perguntou Alice. E o Rei respondeu: “Você começa pelo começo, passa pelo meio e quando chegar ao final... Você PARÁ!”

14 março 2008


Que falta você me faz!!

Para Elizabeth Zuwik

Que falta você me faz!

Sinto falta do seu beijo

Falta do seu corpo

Falta de passar a pele

Macia da minha mão

Na pele áspera da sua perna

Falta de apertar suas nádegas

Falta de sentir o seu suor

Falta de tocar seu peito

Tocar seus braços

Falta do seu toque

Do seu carinho

Será que sentes falta de mim?

Que falta você me faz!!

Minha Amada,

Como podes duvidar da falta que me faz?

Como podes me deixar partir?

Sinto falta de ti como tu sentes de mim

Sinto falta de seus olhos,

Da pureza de teu olhar.

Falta da tua boca,

Da maciez de teus lábios

De tua pele alva e delicada

De teu amor, tuas carícias, tua ternura

Ah, sim!

Que falta tu também me faz!!



02 fevereiro 2008



Preciso de um Controle Remoto!!!

para Eduardo Mihich

Pause. É assim que se encontra minha vida agora, pausada. Ou pelo menos é assim que me parece no momento. Compreendo que isso seja totalmente passível de discussão, já que para alguns o fato de eu andar, comer, sair, enfim, viver, dará a impressão de que minha vida está em play. Mas não está. Ao contrário dos outros, ou pelo menos assim creio eu, minha vida se encontra em Pause. Estagnada no mesmo ponto de antes, parada, já há algum tempo, num ciclo vicioso do qual não pareço conseguir me livrar.

Falshbacks. São tudo o que me ocorrem no momento. Por mais que eu deseje desesperadamente um fast-foward, para descobrir o que será da minha vida, tudo o que eu consigo são flashbacks. Rever tudo o que vivi até aqui, rever meus erros, minhas escolhas, e ter mais fortemente a sensação de que minha vida está absolutamente, inexoravelmente, pausada.

Talvez seja uma questão de ângulo, é possível, talvez seja tudo um grande erro de interpretação. Mas no fundo, o que mais dói, é a maldita sensação de que foi um grande erro de direção. Uma grande pretensão, um grande equívoco, esta obra mal acaba que é minha vida. Aliás, mal acabada, mal escrita, mal produzida, enfim, um erro.

Pergunto-me se eu pudesse editá-la, se o faria? Acho que não. Por mais que eu seja um produto desta vida que agora me parece uma obra de arte de quinta categoria, gosto do que os flashbacks me mostram, gosto da vida que tive, de quem sou, só não entendo e não gosto essa maldita sensação de estar tudo pausado, congelado. Pior, de andar em círculos.

Dizem que estudamos história para aprender com os erros do passado e não repito-los no futuro. Então estes flashbacks devem me mostrar onde errei para que entenda o porquê desse Pause. Mas não faz. Não vejo onde posso estar me repetindo para ter esta sensação, creio até estar fazendo tudo diferente. Então por quê? Por que essa sensação insiste em me atormentar?

Talvez se eu desse rewind? Reviver o que já vivi ao invés de só rever, será que perceberia melhor o erro? Será que alguém o faz?

Ficar preso ao passado também não muda muita coisa, pelo contrário, devo aceitar que isso faz parte do que sou, parte desse meu roteiro, sabe-se lá se traçado por mim ou por Deus, mas o que foi escrito até aqui não tem como ser re-escrito ou editado, é fato, faz parte da cópia final. O que posso e devo fazer é tentar escrever melhor as próximas cenas para ter um grande final. E é justamente isso que pareço incapaz de fazer. Então talvez não seja um pause, mas um bloqueio criativo, se bem que ambos parecem a mesma coisa agora. E não se trata de não querer ou não saber escrever um final feliz, um Happy end, mas por mais que me esforce, por mais que digite as palavras e as imprima a vida não segue o que está escrito e pior, parou num certo ponto do script.

Por tanto, se o roteiro ta pronto, tenha ele sido escrito por mim ou por Deus, por que raios esse filme parou num ponto, que nem ao menos é clímax? E o que, meu Deus, posso fazer para fazer o rolo rodar?

Vislumbro uma possibilidade, uma mão parece apertar um botão e a fita parece rodar lentamente. Espero que não seja só uma encenação, mas fato.

14 janeiro 2008


Dama da....

Para Caio e Rodolfo

Sinto-me uma idiota, uma estúpida, caindo mais uma vez nessa armadilha de amor. Nesse jogo insano dessa projeção. Maldita projeção que só faz eu me fuder. E nem é literalmente.

E todos pensam que eu sou uma puta. Eu sei que sim. E talvez eu seja mesmo, como Diniz “eu dou pra todo mundo, só não dou pra qualquer um!”. Mas o que eles não sabem é que no fundo, no fundo, eu sou dama das Camélias... Bem isso!! Dama das Camélias. Sabe como? Aquela puta ordinária procurando seu Knight in a Shining Armor.

Mas o que me dói mesmo é essa incessante e insensata busca de um porquê. Que porquê?? Não tem porquê!! É assim que as pessoas são F-I-L-H-A-S D-A P-U-T-A!!! Preocupadas com seu próprio umbigo e vontades, e ponto.

Só eu que ainda estou preocupada em fazer a coisa certa, em como isso vai afetar o, ou o que irá significar pro, outro. Estou mesmo? Há circunstâncias que provam que sim... Mas enfim... Eu que me foda... Não é?

Então eu me sinto mais digna, mais justa... Ta bom! Eu sei! Você também está tentando fazer seu melhor... Dando o melhor de si... Mas isso é tão ínfimo, boy... O seu melhor não é quase nada... É poeira... Não serve! Não a mim!

Eu quero aquilo que está à altura do que dou! Até mais... E se não é aqui que vou encontrar... Então...

Há um mundo vasto lá fora. Cheio de pessoas interessantes e interessadas. E não faço concessões para encontrar o que quero e se já te dei todas as chances e todas as deixas e se não aproveitastes, o problema é seu, boy.

Eu sei que pago um preço por ser quem eu sou... Mas tá tudo certo!!! Sou paciente... Tenho força... Um dia eu encontro! E não há de tardar...

Quanto a você? Beeeemmmm... Não é você quem diz... “Quem sabe um dia?”... QUEM SABE?

21 dezembro 2007


Falas de um Coração em Stand-By

para RS

Encontro-me dividido. De um lado quero, sinceramente, parecer relaxado e tranquilo para dizer para curtires a vida, aproveitar ao máximo. Dar a impressão de que não estou apegado.

Do outro fica o desejo de viver tudo aquilo que ainda não vivemos, e sabemos bem o que é.

Pego-me pensando naquela primeira semana em que nos conhecemos. Não por nossos últimos encontros, por eles seria fácil deixar correr solto para ver no que dá no futuro. Mas o que vivemos naquela primeira semana é que me faz querer reviver o que sentimos e experimentamos naquela época. Sentir a força daquelas emoções mais uma vez. Aquela sensação de não precisar fazer mais nada, a não ser ficar ao seu lado. Só ficar do seu lado.

Talvez tenhas razão e não valha a pena tentar reviver tudo isso por um dia. Melhor esperar.

Enquanto vou tentando equilibrar esses dois lados.

Só posso dizer que...

Queria um dia poder dizer “Eu Te Amo”

E ouvir o mesmo.

Queria poder compartilhar sua existência.

Sem sentimento de posse ou cobrança.

Sem nem mesmo morar no mesmo teto.

Só queria fazer parte da sua vida.

E você da minha!!!!

25 novembro 2007


Via Expressa

Irônico como o amor parece unilateral. Talvez não exista uma relação vivida a dois. Todas as relações são vividas a um. Você namora alguém e esse alguém não te namora, ou você passa anos querendo namorar alguém, para anos depois esse alguém ter namorado você, ou ao menos assim dizer. Você casa com alguém que casou com outra pessoa, ainda que a razão social de ambas seja a mesma, você. Entende? A pessoa não necessariamente casou com você, mas com a idéia que faz de você, assim como você casou com a idéia que faz da pessoa, mas que não necessariamente é a pessoa de verdade, e vice-versa de novo.

Reparem! O que marca o primeiro encontro de um, não é o que marca o do outro, os detalhes não são os mesmos. E quando o são, são por razões diferentes.

Talvez seja verdade que nos apaixonemos pela projeção que fazemos nos outros, por vermos no outro aquilo queremos ver! E ao passar dos anos, quando se torna inevitável tomarmos consciência das reais características do outro, ainda assim as vemos da forma como nos convém. Abrandando onde se quer abrandar, enaltecendo o que nos apraz. E mudando em nós mesmos aquilo que facilita conviver com esse outro, por nos fazer crer que assim queremos e somos, quando não é!

Se a máxima da vida é que nascemos e morremos só, então, talvez, amemos só também. Você ama independente de se é amado ou como é amado em retorno.

E o mais triste é que todos esperamos, somente, ser amados.

08 outubro 2007



ALGUÉM PRA QUEM SE POSSA CANTAR!

Então seu coração havia se esvaziado, tornado-se frio, mas não um frio congelante ou insensível, ainda era capaz de sentir solidariedade e outras coisas, até mesmo um princípio de paixão. Mas agora tudo parecia mais efêmero, passageiro.

Nada mais vinha com a mesma facilidade, porém ia facilmente. Os raros novos sentimentos que conseguiam afastar a névoa um pouco, quando se provavam frágeis, incoerentes, eram rapidamente encobertos de novo. Tão ao contrário do passado, onde tudo chegava tão fácil, bruto, intenso e mesmo erroneamente, duradouro.

Sendo assim, não havia mais canções para esse coração, onde antes haviam várias, fossem reproduzidas ou criadas, agora nada restava. E se a boca as entoasse, elas pareciam desprovidas de significado, por que o coração estava mudo. Mas o pior ainda era aquela sensação de não empatia onde antes havia muita, o que antes lhe falava alto, encontrava eco, agora não causava nenhum impacto, por que faltava um objeto para o qual se dedicar.

E essa “ressonância”, esse alguém para quem dedicar tais canções, era de tal forma tão intrínseco ao seu ser que agora faziam uma falta enorme, então era algo além de sentir falta dos sentimentos, mas sentir falta de si mesmo, quase não se reconhecer. Por mais alto que as músicas lhe falassem, faltava o significado essencial para aquilo.

E não havia nada que se pudesse fazer, a névoa se formara como forma de defesa, para que ele não se machucasse mais, nem tão facilmente. Daí provinha o paradoxo, querer ansiosamente uma paixão, sabendo que ela não se dará facilmente devido a uma série de circunstâncias.

28 setembro 2007

Últimos ensaios e Estréia!!!


Estou querendo escrever pra vc`s desde a ida pro teatro, mas..tava difícil, mto ocupado , mto cansado! enfim...

As duas últimas semanas de ensaio foram no teatro, oq parece surreal pra maioria das peças q costumo fazer, né? Geralmente temos 3 dias e olhe lá...mas aqui não só era necessário, como em verdade era pouco tempo...mto cenário, mtas trocas de roupa, microfones, mta luz....enfim....

Foi mega estressante, mta espera...gente do elenco q só reclamava..coisas do genero, né? kkkkkkk na verdade é tudo igual a qq peça, mas c proporções maiores!!!

A pré-estréia na sexta foi linda!! Eu arrasei muito, hehhe!! A platéia ria em horas q eu não esperava nas minhas cenas, mto elogiado, to mto feliz!!! Depois jantinha e talz....

No sabado, estréia!!! Minha mãe foi, ficou toda orgulhosa..enfim...rs!! Depois festinha, nunca bebi tanto eu acho..tava trebado, fiz strip-tease na pista, dancei com Deus e o mundo, e quem me conhece numa pista de dança sabe q é Deus e o mundo mesmo..huahuahuaa...duas meninas, q não sei quem são vieram dançar comigo, disseram q eu era o melhor amigo delas agora!!! No final fui embora c/ eles p/ The Week às 6 da manhã!!! huaua. Cheguei em casa torto às 9 da manhã eu acho

Domingo, obviamente, não foi meu melhor espetáculo, mas um amigo q tinha assistido na sexta disse q foi bom sim!! Que Juliana cantou melhor enfim....(óbvio q Juliana está dividindo opiniões, mas tem gente q acha q ela ta dublando, oq me indica q ela está cantando bem, né?)...janta c amigos p despedir dos gringos!!!

Segunda-feira teve uma apresentação p/ um hospital de judeus, e elenco do miss saigon, garota glamour (musical do Wolf), my fair lady e outros...os judeus frios, ainda bem q os atores quebraram o gelo....ai q foi bom gente!! Bibi ferreira me mandou um recado pra melhorar coisas no meu personagem, olha q chique!!!! RS! Recebi elogios de Alessandra Maestrini e Katia Barros (uma diva dos musicais daqui, q fez charity c La Raia e faz miss saigon), fiquei me sentindo...Cininha de Paula assistiu e disse q estava orgulhosa :) Finally!! E Renato Rabello disse q aproveito mto bem cada um de meus personagens!! A Tunica (Maria Maya) me contou inclusive q Cininha disse p ela q sou a melhor coisa do coro!!!! (yyyyuuuuupiiiii!!!!)



Agora nova fase, né? Procurar aulas de canto e dança..malhar...agência de comercial e talz...e escrever uma peça nova, né???

17 setembro 2007


CHOCOLATES, SUSPIROS E INTERROGAÇÕES!!


Tem horas em que quase te odeio, placidamente te odeio. Um odiar sem o peso do ódio, talvez uma raiva, não sei.... Mas assim fica mais fácil de chegar perto do que sinto. Te odeio, levemente te odeio.

Te odeio por me dar amostra grátis do que não posso possuir. Por me mostrar uma vida que não poderei ter. E por não me deixar ser alguém que há muito tempo anseio ser, ter atitudes que quero tomar, gestos que gostaria de fazer. Por não me deixar viver pela primeira vez as circunstâncias favoráveis. Por não se deixar ser o primeiro em tantos aspectos...

Eu seria capaz de tantas coisas que sequer imaginas, tantas pequenas surpresas, por que adoro pequenas surpresas, fazê-las e recebê-las.

Te odeio por não me deixar ser alguém que imagino que sou e nunca se concretiza, por que nunca tive a oportunidade de ser.

Por não perceber o quão pífia são certas escolhas. Não perceber que poucas vezes a vida nos apresenta grandes oportunidades. Que não se ganha na loto e não se retira o prêmio.

Te odeio não só por não me deixar vivenciar todas essas coisas que imagino, mas também me privar das que sequer faço idéia que seriam vividas!

Te odeio por que não posso te amar.

25 julho 2007

The Producers!! 2



Hoje acabamos o número das velhinhas, acho que vai ficar muito engraçado...vocês não vão acreditar na minha pose no começo...kkkkk!!!


Aprendemos também um número de bengalas...que a princípio eu não faço porque entro com um texto, no meio da coreografia, e não estou no número, mas tem que fazer aqueles malabarismos com a bengala, sabe? tipo balisa de banda de parada americana??? muito maneiro! aprendi alguns! rs!!

Fora que a coreografia é cheia de coisas Bob Fosse (sabiam que Fosse que inventou o moonwalk?) e óbvio que to pegando hehehe!!

Nem contei pra vocês, mas o Chet, coreógrafo, trabalhou com o Fosse em 4 musicais, fez o primeiro Chorus Line também...além disso desde criança viu coisas incríveis!!! Ethel Merman em cena, a cantora favorita de Cole Porter; Funny Girl com Barbara Streisand; O Sweet Charity original com Chita Rivera e Gwen Verdon, bem como o Chicago original com a duas e depois comLiza Minnelli, que ele disse que foi a melhor Roxy de todos os tempos...dá pra acreditar?? Liza de Roxy....nossa!! Queria muito ter visto isso!!!


Fora que os passos que ele deu hoje, de Fosse, são incríveis!!! O simples que é difícil sabe? e causa um puta efeito!! Queria muito que a Úrsula estivesse aqui vendo isso e aprendendo esses passos e como o cara cria, e são coisas simples e geniais!!!

To louco pra que todos vejam e me digam o que acharam..enfim....


bjs, saudades!!!

11 julho 2007

Dois Primeiros ensaios!!!


ai gente....mil coisas...segunda não tive ensaio , então fui ver uns amigos cariocas q por aqui estavam...

bom fui pro FRans café c estes dois amigos do rio....ficamos lá de 19 as 23:30...até cervejas tomamos no frans cafe, kkkkk, puxei assunto c várias pessoas das mesas do lado....foi hilário!! até joão um bahiano q está morando aqui, sentou na nossa mesa, e no fim combinamos de sair pra vermos ap, juntoS!!!


hj foi o primeiro ensaio, cara MEDA!!! temos q aprender tudo em 3 semanas, q é enquanto os gringos estão aqui!!

descobri q sou um dos 3 atores do coro q fazem vários personagens...inclusive já ganhamos um kit do espaço q estamos ensaiando. c uma camiseta e uma garrafinha de agua, dessa c bico q abre e fecha sabem??

vc´s iam pirar c o lugar q ensaio...chama 18x21, em alusão ao tamanho da sala...a sala pequena é 18x10 acho hehehehe..e o lanche é da dona Deola uma padaria chiquetérrima daqui...tipo mcdonald`s panificadora, sabe??? kkkkk!!!

enfim....hj ensaiamos a 1a coreo e 1a musica, q eu não danço e nem canto, pq faço o chefe do wlad nessa cena...alguém me imagina pagando esporro no wlad????? huauahauhuaa!!!!!


e aprendemos a 2a musica tb...a das velhinhas...sim, eu farei uma velhinha kkkkk...mega aguda, tem uma hora q to recebendo Maria Callas, pra poder dar os agudos!!


e as vozes....mil aberturas de vozes...dificilimas....to tonto...nem sei se decorei algo hj!!! vou comprar um gravador amanha...e apareceram umas possibilidades de casa...enfim...vou levando...e contando...


Segundo dia de ensaio


aprendemos Primavera pra Hitler, q vem a ser o número da peça dentro da peça, saca?
q tem apenas (isso é uma ironia) 8 minutos!!!


Cara, tenho q aprender 10 músicas pra cantar uma., pq a cada duas frases muda a melodia....é foda!!!! e olhem isso, as vozes são divididas em: baritonos (3 caras), tenores 1 (4 caras) e tenores 2 (eu e outro menino). eis q numa musica todos cantam uma melodia c um andamento x, eu e meu parceiro cantamos a mesma frase num andamento diferente...ok!! em primavera, todos dão notas similares ( nota principal, terças e oitavas, quintas no máximo), eu e meu parceiro damos uma nota q ninguém mais está dando, ninguém mesmo, nem homens nem mulheres!!!! ...dá pra acreditar???


e pra esse número sapateamos....a coreo é mega ultra blaster difícil...eu não to conseguindo fazer!!!! sei ela toda, bem devagar, mas é mto rápido lá na hora!!!
pra terem noção, o coreografo disse pra pormos o pé na agua congelada, pq se não amanhã os pés estariam inchados!!! ou então por na privada e ficar dando descarga, juro q ele disse isso!!!!


enfim...outras coisas acontecem, mas nem vale a pena, rs!!!! qdo tiver mais novidades volto a escrever!!!!


to cansado, morto, congelando....estressado!!!


E AMANDO CADA MINUTO!!!!!


bjs!!!!





04 maio 2007


TORCENDO PELO AQUECIMENTO GLOBAL!

FATO: Passando pelo túnel vindo do Rio Sul para o começo de Copacabana vejo um cidadão sendo assaltado por 3 menores. Um outro rapaz estava de bicicleta tratou de acelerar. Para não ser o próximo.

1) Tem uma coisa que não entendo nessa discussão de redução da idade penal. Os defensores do direito do menor dizem que cadeia não resolve, que precisa melhorar as condições sociais e de educação para não haver menor criminoso. Mas isso também não se aplica aos maiores? Não é o que eles também precisam para deixar o crime?

Que a cadeia não é solução todos sabemos. Que políticos só estão preocupados em ganhar aumentos, comissões e etc. e em fazer nada, também sabemos.

O que eu nunca vi foi um contra-argumento dos defensores dos direitos da criança e dos adolescentes para a seguinte argumentação:

Crianças que roubam, matam, traficam e torturam como adultos, com consciência do que fazem, não devem ser julgados como adultos?

Minha avó dizia que criança que faz criança não é mais criança. E criança que mata?

2) Sobre o rapaz da bicicleta. Não pensem que ele acelerou desesperado. Não! Afastou-se um pouquinho, olhou para trás para confirmar o que acontecia, com aquele olhar complacente de “IH! Se deu mal!”. Que se vê tão comumente nas cidades hoje!

DE minha parte liguei para 190 (para ficar em chamada em espera, ok né?). Desci no primeiro ponto e fui até a guarita policial relatar o ocorrido.

Agora com tanto descaso de políticos e cidadãos, seja para violência social, seja ambiental, eu sinceramente começo a torcer para que o aquecimento global ganhe essa parada! E extermine esse vírus que se dizimou sobre a terra, chamado Raça Humana.

PS: Só eu ou mais alguém acha q aquecimento global serve para algo além da questão ambiental?

07 dezembro 2006


Vênus X Marte

Entro no vestiário da academia e escuto o seguinte papo:

Cara 1: - Pô! Eu sei, mas ontem eu ia fazer uma dietinha, comer um franguinho com salada e minha namorada quis sair! Fomos onde? No Deck! (Rodízio de Pizza).

Cara 2: - Mulher é fogo!! Elas preferem a gente gordos!! Minha namorada já me disse que preferia quando eu era gordinho! Sabe por quê? Que é para as outras não olharem para gente! Elas querem malhar, ficar bonitas para os caras olharem, mas a gente não pode!! É fogo!

Ok!! O cara 2 até tem um pouco de razão, mas por que será que as mulheres querem os homens gordinhos? São todas tão inseguras assim?

Os homens são criados e instigados a serem “pegadores”, parece que para provar sua masculinidade tem que ter várias no “currículo” e logo que começam a namorar os amigos “pilham” de que o cara está castrado, está na coleira e etc. Fora que parece que os homens também são criados para não acreditar em fidelidade, ao menos da parte deles, algo do tipo: eu posso, ela não!

Então obviamente as mulheres preferem seus homens gordinhos, isso diminui a chance de serem paquerados por outras, e diminui o risco de serem chifradas, seja por procura ou por recusa a oferta, é mais prático do que emocional!

Já os homens preferem suas mulheres deliciosas, tanto para exibir para os amigos sua grande conquista, quanto por aparentarem ser muito seguros de si. E também por que reza a lenda que mulheres são românticas e fiéis, acreditam no grande amor, na instituição FAMÍLIA, príncipe encantado e tudo mais!

Sem contar a máxima “Mulher gosta de dinheiro, quem gosta de homem bonito é viado!”. E não estou dizendo que as mulheres são interesseiras, mas elas alardeiam que às vezes, charme, inteligência e um bom papo contam mais que beleza física, e parece ser verdade!

Mas fato é que, talvez por instinto, as mulheres procuram um “macho” que possa dar-lhes uma boa prole e “proteção” (num sentido geral de homem provedor e protetor) para si e para a tal prole. E se no tempo das cavernas tal provedor era um bom caçador, estava ligado à força física... Depois passou a ser status, hoje em dia é dinheiro, não? O homem que tem dinheiro é o homem capaz de prover uma vida “segura” para mim e meus filhos.

Mesmo a mulher contemporânea sendo trabalhadora e por vezes podendo sustentar a todos, parece que ainda há a necessidade de encontrar um homem que ganhe tanto quanto ela, se não mais. Vide celebridades, que mesmo consideradas as mais lindas do país namoram homens feios, porém EMPRESÁRIOS!! Até por que ela tem que manter o padrão e garantir o padrão dos filhos mesmo depois de ter partido. Acho que esses conceitos vêm no DNA feminino.

Em verdade, do jeito que as coisas andam as mulheres só precisam dos homens ainda por que como diz a anedota: “Vibrador não corta a grama, não troca a lâmpada e não carrega peso!”. Mas se elas têm dinheiro para o jardineiro e para empregados que troquem lâmpada e carreguem peso...

Por que venhamos e convenhamos, que sexo com boneca inflável é muito sem graça. Frio!! E por mais que Jack Nicholson diga que não paga para ter sexo, mas para não se aborrecer no dia seguinte, os homens adoram ser aborrecidos pelas mulheres!!! Ter alguém para tomar conta deles, resolver as coisas que eles não conseguem e administrar suas vidas, não dizem que por trás de um homem há sempre uma mulher, seja de que tamanho eles forem? Nem que seja a mãe! E ainda nos atendendo às máximas populares: MELHOR COM ELAS, PIOR SEM ELAS!!

Gustavo Porto Klein

19 outubro 2006


O Menino dos Olhos de Lago

Para Gelson Roberto Klein

Filho da Moça dos Olhos de Rio com o Rapaz da Voz de Trovão, nasceu e cresceu na cidade das águas minerais, talvez por isso grande parte da família fora abençoada com olhos cristalinos, ou pelo menos durante muito tempo acreditou-se que fora o consumo de tal água que os dotava da tal característica.

Era uma família humilde, que só Deus sabe como se virou tão bem, tendo em vista que no fim das contas a prole era composta de treze rebentos, entre meninos e meninas, tudo por que o rapaz da voz de trovão queria formar um time de futebol com a gurizada! No fim das contas não conseguiu, mas conseguiu. Antes mesmo de pensar em completar o time teve uma menina; quando estava perto de ter meninos suficientes, o mais velho já tinha saído de casa, sendo seguido logo pelos outros e mesmo assim vieram outras meninas para atrapalhar a vontade do pai. Não que as tenha amado menos por isso, amou igual a todos, amou do jeito que ama um pai que se chama Rapaz da Voz de Trovão!! E provavelmente esse rodízio da permanência de filhos dentro do lar tenha sido a razão pela qual a família, apesar de humilde, jamais tenha passado grandes necessidades, ou melhor, necessidades extremas! Mas o sonho do time viria a se realizar com filhos e sobrinhos, depois filhos e netos e assim em diante.

E assim o Menino dos Olhos de Lago foi crescendo, quem o conheceu mais tarde acha difícil acreditar que tenha sido levado, mas o foi, na medida normal de todo menino, nem demais, nem de menos. Até por que seus olhos estavam lá, cristalinos, para atestar a candura de sua alma!!!!

Mas apesar da bondade de sua alma, num desses revezes da vida, acabou sendo vítima de uma injustiça do destino. Ao passar por trás de um cavalo, este, sabe-se lá por que, assustou-se e deu um coice no menino, custando-lhe quase todos os dentes. E como a família era muito humilde e não tinha condições de pagar-lhe o tratamento necessário, assim teve de viver pelos próximos anos.

Até o dia em que fora visitar uma amiguinha de escola e a mãe da menina ficara encantada com a beleza do menino, beleza não só da alma, mas física. E disse que um menino tão lindo não poderia ficar sem os dentes, deu-lhe de presente toda a restituição da arcada dentária, sem pedir nada em troca, a não ser um sorriso, dos lábios e dos olhos.

Os anos foram passando, ele mudou de cidade, arranjou empregos, foi fazendo a vida, até o dia em que foi parar numa outra cidadezinha onde conheceu a Menina da Alma de Festa, apaixonou-se imediatamente, não se sabe se por sua beleza, por ela ser inteligente, mas provavelmente tenha sido por sua alegria de viver, parece que era isso que mais o chamava atenção em uma mulher, a alegria de viver.

Com o passar do tempo, eles namoraram, noivaram, casaram e tiveram três lindos filhos: o Severo Jovial, o Cabeça de Nuvens e Taurina da Alma de Leão e Coração de Açúcar.

Mas por venturas do destino acabaram por se separar. A Menina da Alma de Festa mudou de cidade, e ele foi seguindo com sua vida.

Foi quando conheceu Mistéria, a mulher de mil faces, que variavam de acordo com época, humor e circunstancias...Mas não é assim com todos nós?

O fato é que acabaram por se casar, por que ela também possuía uma grande alegria de viver, mesmo que por um tempo, ou pelo menos em certas circunstâncias, ela mesma pareça ter esquecido isso! E ela fora muito importante para ele, uma segunda mãe para seus filhos, lhe deu grande apoio quando ele precisava, enfrentou muita coisa por ele, enfim fora importante para eles. Mas mais uma vez quis o destino que por ventura não fosse ela a destinada para ser para sempre. O Menino dos Olhos de Lago, mais uma vez enfrentava um momento difícil e importante, mas o fez mais uma vez com gentileza e dignidade, como lhe era tão natural.

Antes mesmo de que pudesse superar essa dificuldade, Deus quis levar para seu lado o Rapaz da Voz de Trovão, isso por que alguns anos antes já levara uma irmã sua, a Moça dos Pulsos de Ferro e Alma Doce. E era muito difícil compreender a razão de todos aqueles acontecimentos.

E se perguntava: “Por quê os bons sempre sofrem?” E não se referia a si, mas a sua mãe que também fora vítima desses recentes acontecimentos entre outros...E sabe-se lá quais outras desventuras não sofrera ao longo da vida.

Talvez a razão para isso seja a eterna briga entre Deus e o Diabo. Deus faz com que os seus sofram, por que é através do sofrimento que se adquire sabedoria. Já o Diabo evita que os seus sofram e até lhes proporciona prazeres, pois sendo quem é e sabendo que as pessoas são ensinadas a evitá-lo, tem de utilizar-se desses recursos para mantê-los ao seu lado. A sabedoria é a forma que Deus tem de garantir que o Bem sempre vença. Portanto, o sofrimento garante que o Bem prevaleça. Por mais contraditório que possa parecer.

Não que isso amenizasse os natais que passara sozinho, por estar longe da família e sem dinheiro para visitá-los e tantas outras situações.

E mais uma vez ele teve de ser forte e superar essas agruras.

Mas logo, logo, ele reencontrou uma antiga amiga, a Moça da Risada Frouxa - preciso dizer que ela tem uma enorme alegria de viver??? E começaram a namorar.

Depois disso? Bem, depois disso cada um foi levando sua vida. Como essa história termina? Ainda não sei, um dia quem sabe, volto aqui para contar! Felizes para sempre é difícil de dizer, há quem inclusive ache que a felicidade não existe e entendo que às vezes a vida pareça tão dura que nos faça crer assim, mas acho que tudo é uma questão de perspectiva. Mas mais uma vez, não é assim com tudo na vida?

Gustavo Porto Klein


22 setembro 2006


PARA A CARÊNCIA DE UM MENINO


O pequeno menino carente havia partido deixando um grande vazio, desses que meninos carentes deixam para trás quando mudanças ocorrem em suas vidas, sejam elas pequenas ou grandes. O fato é que essa mudança no cotidiano de até então, deixada pela recente ausência de um menino carente, é sempre perturbadora. E geralmente essa perturbação é a de que com essa ausência nos encontramos carentes também. E digo também, por que não se sabe se os meninos carentes o deixam de ser depois da mudança.

Mas essa perturbação era maior do que uma simples carência, não que ela não existisse, existia sim! Mas além dela existia ainda a ausência da esperança, da possibilidade, de experiências não vividas, palavras não mencionadas, gestos não trocados, desenvolvimentos não acompanhados. E todas essas ausências eram sentidas verdadeiramente, independente de se em maior ou menor grau, de acordo com a longevidade da presença de até então.

Por que o fato é, que independente de generalizações, este menino carente em questão era de um presente recente, mas isso pouco importava. Assim como não importava encontros ou desencontros, fisicalidades ou não. O que importava eram os momentos, ainda que poucos, significativos, algo especiais e até mesmo lúdicos. Momentos de companhia, independente de como ela se dava, quando um ou outro precisava, quando se precisava de alguém para conversar ou para escutar, ou quando se precisava de alguém que nos faça sentir bem simplesmente com sua companhia.

E eram nesses momentos que eles se encontravam, e se regozijavam com aquela companhia, por que talvez nem soubessem que precisavam. E independente de se rapidamente ou por pouco tempo, se estavam distantes, ou sequer se chegariam a se re-encontrar... O que importava é que alguma coisa ficou, por que alguma coisa sempre fica.


Gustavo Porto Klein





17 agosto 2006


WILL EISNER EM CARNE E OSSO.

A constatação do título parece absurda e mentirosa. E seria se levássemos em conta o fato de Will Eisner estar morto, porém se considerarmos o que se vê em Avenida Dropsie, espetáculo da Sutil Companhia de teatro, em cartaz no Caixa Cultural, vulgo Teatro Nelson Rodrigues, acabaremos por ter de dar o braço a torcer.

Para quem não sabe Will Eisner foi um gênio que revolucionou uma forma de expressão artística, muitas vezes tida como menor, os quadrinhos. E aqui não me refiro à quadrinhos da Turma da Mônica, ou Batman e Superman (apesar desses também terem sofrido a influencia de Eisner no final da contas), mas quadrinhos em toda a sua extensão de gêneros, e acreditem são vários. Enfim, o que importa é que Eisner foi inovador nessa forma de narrativa criando formas de expressão nesse meio que influenciam artistas até hoje. E como se pode perceber não só da mídia dos quadrinhos.

As histórias de Eisner em sua grande maioria eram sobre pessoas comuns e suas cidades, ou sobre as cidades e suas pessoas “comuns”, o que a principio parece ser entediante, já que não se têm alienígenas, nem detetives vestidos de criaturas noturnas combatendo maníacos fugidos do circo, superpoderes ou qualquer coisa que o valha, mas não é, são histórias fascinantes e extremamente poéticas, o que não quer dizer chatas.

E é isso que vemos nesse espetáculo, puro Eisner. O edifício está lá com seus personagens urbanos, desses rostos perdidos na multidão pelos quais passamos todos os dias e que de tão comuns escondem histórias fabulosas, histórias das quais vislumbramos pequenos flashes sem acompanhar a saga deste ou daquele personagem, mas não é assim na vida?

E se temos os elementos de Eisner, temos também a indefectível tela da Sutil Companhia de Teatro, sem falar na trilha sonora, que dessa vez parece mais funcional ao espetáculo do que nunca, pois ali podemos ver os títulos das histórias, os recordatórios e temos a sensação de estar vendo quadrinhos em movimento.

Sem contar o fato de que o protagonista do espetáculo é Will Eisner, que está ali em essência em cada detalhe.

Para quem conhece Will Eisner uma boa forma de reencontrá-lo, para quem não conhece uma grande oportunidade, para quem não gosta nem de quadrinhos e nem de teatro, uma boa chance de se dar a oportunidade, e de reconhecer ali tantas pessoas de nosso dia-a-dia de uma forma ou outra.

Um espetáculo lúdico, sem ser piegas, lírico, sem ser chato, engraçado, sem apelar.

Como diria meu “mestre” Caio Fernando Abreu... “E de repente começou a chover...”.

Gustavo Porto Klein

09 agosto 2006

GÊNESE DOS NOVOS FILÓSOFOS

Camilo Pellegrini que me perdoe, mas tive q pegar parte do título de sua última peça emprestado...

A questão é a seguinte, um estranho pensamento me assola ultimamente...ao conhecer e conviver com artistas, filósofos, pensadores, intelectuais e etc...tem umas horas que penso "Ai!! que Gente chata!!". Por que tudo tem que ser sempre tão profundo, embasado, ter uma questão capital, ter uma explicação criativa ou filosófica, ou seja, lá o que for?? Não dá para relaxar e deixar as coisas serem??

E o discurso?? Por Que o discurso sempre tem que ser empolado, soar pretensamente erudito?? ai...preguiça!!!

Mas o que acho realmente estranho, é que antigamente filósofos, intelectuais e artistas eram boêmios, saiam, viviam nas ruas no meio do povo, viviam e viam a vida acontecer, para a partir disso extrair seus pensamentos. Hoje em dia as pessoas que se autodenominam como tal, vivem quase que trancafiadas em casa, fumando maconha e extraindo seus pensamentos dos livros que lêem e dos jornais, sim, por que intelectual que se presa não vê televisão!! Se a pessoa não vive e não vê os outros viverem, como ela tem qualquer tipo de pensamento sobre a vida??

Por isso acabo por achar que os verdadeiros filósofos são os porteiros, os taxistas, domésticas, manicures, primeiro por viverem e verem vida mais que ninguém!! E segundo por que o discurso, ah!!! o discurso...é ai, bruto, na lata, pão pão queijo queijo, sabe? Dizem tudo o que tem que ser dito da forma mais simples e direta possível e ali está todo um tratado de filosofia real e pertinente, sem ter que fazer voltas e voltas, de fala empolada para parecer mais inteligente ou genial, SÃO GENIAIS, PONTO.

ESSES É QUE SÃO SO VERDADEIROS ARTISTAS E FILÓSOFOS DA ATUALIDADE!!!!

27 julho 2006

Na Cerimônia do Oscar desse ano a grande surpresa foi a vitória de “Crash - No Limite” sobre o franco favorito “O Segredo de Brokeback Mountain”, mas de certa forma, parece que assim a premiação acabou sendo mais justa ao laurear esses dois filmes, que no final das contas, falam da mesma coisa!

“Brokeback Mountain” causou sensação por ser o primeiro filme que aborda um relacionamento amoroso gay entre homens de maneira séria e que foi respeitado por isso, vide os prêmios que recebeu, e sendo bem recebido tanto por crítica quanto público. E é nisso que parece residir o maior trunfo do filme, sem desmerecer suas qualidades enquanto obra cinematográfica, mas o fato de que alarga seu alcance para algo além da comunicação emocional direta de uma obra de arte com seu espectador. Se por um lado a questão do preconceito está presente no filme de forma indireta, é mencionada, sentida, mas não é o foco da história, ainda que seja o preconceito alheio ou do próprio personagem consigo mesmo (esta sim mais forte e relevante para o desenvolvimento da trama). É justamente a questão do preconceito fora das telas que dá destaque ao filme, o preconceito que o filme, apesar de abordar um relacionamento que parecia tabu, acabou não sofrendo, sendo bem recebido por críticos e meio artístico e surpreendentemente, ou não, bem recebido pelo público.

Na contra mão, ou talvez de mãos dadas, encontra-se “Crash”. O filme aborda em primeiro plano a questão do preconceito, de diversas formas e em diversas questões. Seu grande trunfo é que ao contrario do que se pensa a primeira vista, onde se acha que ele pretende ser moralizador ao colocar os personagens em situações que lhes são “momentos de revelação e ensinamento”, o cerne da obra consiste em demonstrar como grupos que são vítimas de preconceito acabam estigmatizados, quase sacramentados nos preconceitos que sofrem devido às atitudes reiterativas de indivíduos de tal grupo, quer eles estejam conscientes de tais atitudes, como o da dupla de assaltantes, ou não, como Sandra Bullock.

O roteiro além de possuir alguns diálogos extremamente realistas, que parecem tirados da sala do vizinho ao lado, consegue dar conta de uma gama de situações com pouquíssimos personagens, mostrando todas as aparições do preconceito e das reiterações, seja pelo “preconceituado” ou pelo preconceituoso, indo fundo na ferida ao mostrar que mesmo quando se tenta fugir do papel de preconceituoso, as circunstancias podem levá-lo a este lugar.

Paul Haggis demonstra que além de bom roteirista, por este com Bobby Moresco e por “Menina de Ouro”, tem um futuro promissor como diretor, ao conduzir um filme que mescla uma certa dose de humor, sem apelar para fórmulas convencionais, com a dose certa de dramaticidade e boas atuações e que nos deixa perguntando não só quando podemos estar sendo preconceituosos, mas quando podemos estar reiterando preconceitos dos quais somos vítimas, já que na sociedade contemporânea até mesmo pessoas lindas, ricas, inteligentes, saudáveis, bem sucedidas e aparentemente com mais virtudes do que vícios, também são vítimas dessa “praga”.