17 agosto 2006


WILL EISNER EM CARNE E OSSO.

A constatação do título parece absurda e mentirosa. E seria se levássemos em conta o fato de Will Eisner estar morto, porém se considerarmos o que se vê em Avenida Dropsie, espetáculo da Sutil Companhia de teatro, em cartaz no Caixa Cultural, vulgo Teatro Nelson Rodrigues, acabaremos por ter de dar o braço a torcer.

Para quem não sabe Will Eisner foi um gênio que revolucionou uma forma de expressão artística, muitas vezes tida como menor, os quadrinhos. E aqui não me refiro à quadrinhos da Turma da Mônica, ou Batman e Superman (apesar desses também terem sofrido a influencia de Eisner no final da contas), mas quadrinhos em toda a sua extensão de gêneros, e acreditem são vários. Enfim, o que importa é que Eisner foi inovador nessa forma de narrativa criando formas de expressão nesse meio que influenciam artistas até hoje. E como se pode perceber não só da mídia dos quadrinhos.

As histórias de Eisner em sua grande maioria eram sobre pessoas comuns e suas cidades, ou sobre as cidades e suas pessoas “comuns”, o que a principio parece ser entediante, já que não se têm alienígenas, nem detetives vestidos de criaturas noturnas combatendo maníacos fugidos do circo, superpoderes ou qualquer coisa que o valha, mas não é, são histórias fascinantes e extremamente poéticas, o que não quer dizer chatas.

E é isso que vemos nesse espetáculo, puro Eisner. O edifício está lá com seus personagens urbanos, desses rostos perdidos na multidão pelos quais passamos todos os dias e que de tão comuns escondem histórias fabulosas, histórias das quais vislumbramos pequenos flashes sem acompanhar a saga deste ou daquele personagem, mas não é assim na vida?

E se temos os elementos de Eisner, temos também a indefectível tela da Sutil Companhia de Teatro, sem falar na trilha sonora, que dessa vez parece mais funcional ao espetáculo do que nunca, pois ali podemos ver os títulos das histórias, os recordatórios e temos a sensação de estar vendo quadrinhos em movimento.

Sem contar o fato de que o protagonista do espetáculo é Will Eisner, que está ali em essência em cada detalhe.

Para quem conhece Will Eisner uma boa forma de reencontrá-lo, para quem não conhece uma grande oportunidade, para quem não gosta nem de quadrinhos e nem de teatro, uma boa chance de se dar a oportunidade, e de reconhecer ali tantas pessoas de nosso dia-a-dia de uma forma ou outra.

Um espetáculo lúdico, sem ser piegas, lírico, sem ser chato, engraçado, sem apelar.

Como diria meu “mestre” Caio Fernando Abreu... “E de repente começou a chover...”.

Gustavo Porto Klein

2 comentários:

Tcho - O Veado Roxo disse...

naum me dei ao trabalho de ler seu texto , mas prometo que vou ler.

so quero dizer que te amo e que sinto saudades de nossas conversas sobre o nada

Cristiana disse...

Ah que pena que nã vi esse espetáculo...mas faço idéia...bjs!!